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Leishmaniose em Cães: Sintomas, Tratamento e Prevenção

Saiba como identificar a leishmaniose canina, quais são os sinais clínicos, como funciona o tratamento e as formas de prevenir a doença.

Por Equipe VetNaut · 4 min de leitura

A leishmaniose visceral canina é uma das doenças parasitárias mais sérias que afetam cães no Brasil. É também uma zoonose — pode ser transmitida ao ser humano pelo mesmo vetor — o que torna seu controle uma questão de saúde pública.

Conhecer os sinais precoces e agir rapidamente faz toda a diferença no prognóstico do animal.

O que é a leishmaniose?

A leishmaniose é causada pelo protozoário Leishmania infantum (também chamado L. chagasi), transmitido pela picada do mosquito-palha (Lutzomyia longipalpis). O cão é o principal reservatório urbano da doença.

O parasita afeta órgãos internos como fígado, baço, rins e medula óssea, causando disfunção progressiva em múltiplos sistemas.

Sintomas: como identificar

A leishmaniose tem um período de incubação longo — de meses a anos. Muitos cães são portadores assintomáticos por muito tempo.

Quando os sintomas aparecem, os mais comuns são:

Sinais cutâneos

  • Queda de pelo excessiva (pelagem opaca)
  • Feridas na pele que não cicatrizam, especialmente no focinho e orelhas
  • Descamação (aspecto “enfarinhado” na pelagem)
  • Unhas crescendo de forma anormal (onicogrifose)

Sinais sistêmicos

  • Emagrecimento progressivo mesmo com apetite mantido
  • Aumento do baço e fígado (detectável ao exame)
  • Sangramento nasal (epistaxe)
  • Inflamação nos olhos (uveíte, conjuntivite)
  • Falência renal (em fases avançadas)
  • Fraqueza e intolerância ao exercício

Se seu cão apresenta queda de pelo intensa, emagrecimento e feridas que não cicatrizam, procure um veterinário imediatamente para exames específicos.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico é feito por combinação de:

  1. Exame sorológico (ELISA, RIFI): detecta anticorpos contra Leishmania
  2. PCR: identifica o DNA do parasita — mais sensível
  3. Punção de medula óssea ou linfonodo: exame direto — confirma diagnóstico
  4. Hemograma e bioquímica: avalia comprometimento renal e hepático

O teste rápido (imunocromatográfico) é usado em triagens, mas um resultado positivo deve ser confirmado com exame laboratorial mais específico.

Tratamento: o que esperar

O tratamento não cura a doença, mas controla a multiplicação do parasita e melhora significativamente a qualidade de vida do animal.

Protocolo atual no Brasil

Desde 2016, o miltefosine (Milteforan®) é o único medicamento autorizado para tratamento de leishmaniose canina no Brasil em animais domésticos.

  • Posologia: 2 mg/kg/dia por via oral, durante 28 dias
  • Complemento: alopurinol (indefinidamente, para manutenção)
  • Monitoramento: exames periódicos a cada 3-6 meses

O tratamento reduz a carga parasitária e melhora os sinais clínicos, mas o animal continua sendo portador e pode recidivar.

Importante: A eutanásia compulsória de cães positivos foi retirada da política oficial de controle em 2020. O tratamento é hoje a opção recomendada, com monitoramento adequado.

Prevenção: como proteger seu cão

1. Vacina contra leishmaniose

Vacinas como Leishvaccine (Zoetis) e Leishmune (já descontinuada) estimulam a imunidade. A vacinação deve ser feita em cães soronegativos, com reforço anual.

2. Coleira repelente

Coleiras com deltametrina ou permetrina repelem o mosquito-palha por até 6 meses. É uma das medidas mais eficazes no controle individual.

3. Repelentes tópicos

Pipetas e sprays com repelentes protegem especialmente em horários de maior atividade do mosquito: ao entardecer e à noite.

4. Controle ambiental

  • Elimine acúmulo de matéria orgânica no quintal (folhas, entulho)
  • Use telas finas nas janelas (o mosquito-palha é menor que o mosquito comum)
  • Evite passeios noturnos em áreas de mata ou terrenos baldios

Leishmaniose e saúde humana

A transmissão ao humano ocorre somente pela picada do mosquito-palha — não há risco pelo contato com o cão. Porém, o cão infectado serve de reservatório, aumentando o risco de transmissão na vizinhança.

Pessoas imunossuprimidas, crianças e idosos têm maior risco de desenvolver a forma visceral grave. Consulte o médico se houver sintomas como febre prolongada, emagrecimento e aumento do baço.

Conclusão

A leishmaniose canina exige diagnóstico precoce, tratamento contínuo e prevenção ativa. Com o protocolo correto, muitos cães vivem com boa qualidade de vida por anos após o diagnóstico.

Se você mora em área de risco ou seu cão teve contato com outros animais positivos, solicite ao veterinário a realização de testes periódicos — mesmo sem sintomas aparentes.

Conteúdo produzido e revisado pela equipe do VetNaut com base em protocolos e diretrizes veterinárias atuais. Sempre que possível, indicamos a consulta com um médico veterinário de confiança para orientação personalizada.

Este artigo tem caráter informativo. Consulte um médico veterinário para orientação individualizada.

Perguntas Frequentes

Cão com leishmaniose pode viver em casa com humanos?
Sim, com cuidados. A transmissão ao humano ocorre por picada do mosquito-palha, não pelo contato direto com o cão. Proteja seu animal com coleira repelente e consulte o médico veterinário para o tratamento adequado.
Tem cura a leishmaniose canina?
Não existe cura definitiva. O tratamento controla a doença, melhora a qualidade de vida e reduz a carga parasitária, mas o animal permanece portador. O acompanhamento veterinário contínuo é essencial.
Qual vacina protege contra leishmaniose?
A Leishvaccine e a Leishmune são vacinas registradas no Brasil para cães. Elas reduzem o risco e a gravidade da doença, mas devem ser associadas ao uso de repelentes e mosquiteiros.
Quais regiões têm mais casos no Brasil?
As regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste concentram a maioria dos casos, mas a doença já avançou para regiões Sul e Sudeste, incluindo áreas urbanas.

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